Falta de engenheiro e cientista de dados desafia demandas nas empresas


Engenheiro e cientista de dados são carreiras do futuro
Redfox

As profissões de engenheiro e cientista de dados são cada vez mais necessárias no mercado. Com poucos profissionais para suprir uma demanda crescente, as empresas precisam traçar estratégias para contratar e reter os melhores perfis.

Esse cenário esteve em pauta no evento Data & Analytics Summit do Gartner, com especialistas como Peter Krensky, analista sênior no grupo. “A lacuna de profissionais no setor é muito grande no Brasil. A demanda do mercado cresce tão rápido que a maioria das empresas brasileiras que conheço não tem pessoal para a função”, ele conta.

Peter aponta que há uma expectativa de aproximadamente 1,5 milhão de oportunidades em ciência de dados para 2019, segundo o grupo de pesquisas Kaggle.

A mesma fonte revela que há aproximadamente 50 mil cientistas disponíveis no mundo todo, bem aquém da demanda. “O Brasil tem uma quantidade muito similar ao Canadá e à Rússia. É muito baixa, mas até os EUA, que estão entre as maiores densidades, encontram dificuldades”, reforça Krensky.

Mas por que essas funções são tão importantes para as empresas? A inovação tecnológica exige profissionais que entendam de dados. Enquanto o cientista é responsável pela organização deles, o engenheiro trabalha a arquitetura dos projetos. É o que explica Diogo Rocha Barbosa, Tech Innovation Leader da RedFox Soluções Digitais.

“Fazendo uma analogia, a engenharia faz a arquitetura de uma obra de arte, enquanto a ciência executa. O engenheiro pensa e estrutura o projeto de forma escalável para facilitar a manutenção do ciclo de desenvolvimento. Já o cientista de dados limpa a informação, faz rotina de extração e segue o direcionamento do engenheiro”, explica.

Ele diz que o engenheiro normalmente tem mais conhecimento, porque vai atrás da informação, mas isso não é uma regra. Ambas as funções têm visão para direcionar os esforços e auxiliar na otimização de custos e investimentos, devendo trabalhar de horizontalmente.

“Um bom profissional pode enxergar o embrião de um software com features que podem ser desenvolvidos lá na frente. No nosso projeto KPBoard, por exemplo, o engenheiro consegue pensar coisas que outros não vêem, tendo mais visão de como melhorar os dados e gerar oportunidades para o software”, conta o Tech Innovation Leader da RedFox.

Para Nick Heudecker, VP Researcher Do Gartner, o engenheiro de dados tem a função de tornar os dados disponíveis para as operações, sendo um trabalho muito importante para os times de tecnologia e para a empresa como um todo.

“As pessoas devem se empolgar com esse trabalho porque as mudanças estão acontecendo muito rapidamente, principalmente diante do aumento de automação e inteligência artificial. O engenheiro é alguém que pode ajudar a monetizar em cima dos dados e atuar no marketing, trabalhando junto com o negócio para criar dados com potencial de lucro”.

Onde encontrar profissionais de dados?

A importância dos profissionais de dados para os negócios reforça a preocupação das empresas sobre como incorporá-los. Com a escassez no mercado, elas devem entender onde encontrá-los para suprir a demanda. Krensky acredita que a ajuda de um especialista em seleção é uma boa estratégia de busca, bem como treinamento interno para as funções.

“O cientista de dados, principalmente, é muito difícil de achar. Você vai precisar de um recrutador para contratar essas pessoas, porque metade dos currículos não estarão de acordo com a posição”, ele explica.

“Você também pode encontrá-lo internamente. Os ‘citizen data scientists’ são as pessoas que você gasta tempo desenvolvendo e já trabalham com você. Pode ser um desenvolvedor, por exemplo, que só precisa aprender mais sobre machine learning”.

Igualmente, Heudecker também vê oportunidade em explorar a equipe interna a partir de treinamentos. Ele ressalta que o engenheiro de dados precisa ter um conhecimento amplo, mas pode aprender dentro da organização.

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“Você quer alguém com total entendimento do seu negócio, mas sabe que simplesmente não vai encontrar alguém que saiba tudo. Se você quer saber onde encontrar engenheiros de dados, talvez possa pensar em evoluir alguns dos seus DBAs para essa posição, incentivando-o a se tornar criativo”.

Porém, vale ressaltar que o perfil depende dos objetivos. Profissionais em desenvolvimento podem se adequar à estratégia de algumas empresas, mas, em alguns contextos, um sênior pode ser mais relevante. O case da RedFox ajuda a entender esse cenário, como conta Barbosa.

“A RedFox acredita que todos devem ter oportunidade e ajuda preparar pessoas para crescerem juntas. Enxergamos nesse cenário um diferencial, mas, no momento, buscamos uma estruturação mais sênior. Quando você precisa estruturar algo, é importante ter alguém que domine os tipos de banco de dados e que conheça as escolhas das arquiteturas, por exemplo”.

Para ele, a absorção do perfil júnior só se justifica quando o negócio tem uma estrutura adequada, tanto para desenvolver os softwares como para compartilhar conhecimento.

Outro lugar com oportunidades para suprir a demanda das empresas são as universidades e escolas técnicas. Em São Paulo, há vários cursos voltados para as chamadas profissões do futuro, como inteligência artificial e machine learning. Com isso, Krensky reforça que pode haver uma simbiose entre empresas e instituições de ensino.

“São lugares perfeitos para uma troca justa. Você pode aproveitar os recursos das escolas e elas utilizam os seus dados para o ensino. Recomendo uma parceria com as universidades. Se os profissionais forem bem-sucedidos, eles podem se graduar pelos modelos”.

Desafios do mercado para a contratação de engenheiro e cientista de dados

A competitividade entre as empresas na busca por um engenheiro ou cientista de dados gera desafios constantes, porque as chances de evasão para oportunidades melhores são grandes.

Por isso, uma organização precisa tomar medidas estratégicas para reter os profissionais, começando na hora da contratação até as condições de trabalho. Para Krensky, as principais dificuldades envolvem a geografia, a indústria, resumos falsos e a insatisfação com as atividades executadas.

“Pela geografia, se você é de fora de São Paulo ou Rio, provavelmente terá mais dificuldade para conseguir cientistas de dados. Na indústria, existem setores mais atraentes para esses profissionais, até pelo salário. Entre eles, temos as instituições financeiras, bancos, high-tech, telecomunicações e manufatura”, ele lista.

Porém, o maior desafio na opinião de Peter é a questão dos currículos falsos. “Como você pode contratar alguém para cientista de dados se você tem dúvidas sobre a atuação? Na verdade, apenas uns 15% dos candidatos tem realmente experiência. Currículos de quem tem um ano em SQL são valiosos, mas não são de cientistas”.

Por fim, a insatisfação com o trabalho contribui para que um engenheiro ou cientista de dados decida aproveitar novas oportunidades. O dinheiro é importante, mas o tédio também impacta na decisão, como conta Barbosa.

“Vejo que os profissionais ficam cada vez mais em uma empresa porque gostam. Daí a importância de criar ambientes felizes para que eles não saiam. Muitas vezes também, as pessoas não saem por dinheiro, mas porque querem aprender com alguém mais experiente em outro lugar”, explica.

Por isso, ele ressalta que o ambiente corporativo precisa traçar boas práticas internas de relacionamento e aprendizado. Entre as estratégias para reter um engenheiro ou cientista de dados, a empresa pode criar ciclos de melhoria interna, pagar cursos quando for cabível e valorizar os profissionais que vão atrás do conhecimento e o compartilham.

Além do mais, o desenvolvimento contínuo também faz diferença para o profissional. Diogo acredita que o conhecimento nunca é completo, principalmente no cenário de constantes mudanças e inovações.

“O cientista de dados está sempre em busca de conhecimento. A preparação nunca termina, porque sempre tem o que fazer. O profissional precisa identificar padrões e aprender mais coisas para lidar com a informação de forma inteligente. Como o nome mesmo diz, essa é uma ciência e é preciso ter afinidade”, ele ressalta.

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