Quais são as principais características da clínica do amanhã?


Clínica do amanhã

Muito se debate sobre o que esperar da medicina do futuro. Não somente em relação às tecnologias como também dos processos e até as práticas de atuação dos profissionais da saúde. A Clínica do Amanhã é um evento promovido pela Health Innova Hub, que debate esse contexto anualmente.

O que se propõe é a tendência que leva a olhar mais para o paciente e integrá-lo como elemento de decisão no ecossistema, além de uma clínica mais coparticipativa. Rita Ragazzi, gerente de pesquisa em saúde da Latam, explica como a clínica do amanhã deve se posicionar. “Eu preciso ter a clínica interagindo com outros stakeholders para que eu consiga atingir esse paciente de uma maneira holística e gerar valor para ele”, explica.

Segundo ela, dar uma recomendação de que ele precisar correr é importante, mas é preciso integrar a clínica com outros provedores para agregar valor, com uma rede de profissionais para completar esse contexto e pensar o paciente de maneira holística.

Para buscar esse propósito e desenvolver uma medicina melhor para o futuro, há várias características que precisam ser trabalhadas. Rita cita como principais valores da clínica do amanhã os seguintes itens:

  • Acessibilidade: agendamentos online, informação referente, avaliações do paciente, triagem online;
  • Compra direta: multidisciplinaridade, resolutibilidade com testes POC;
  • Custo-efetividade: processo inteligente, bem-estruturado o apoio da tecnologia;
  • Sustentabilidade: clínica financeiramente estável, com modelo de negócio para gerar negócios repetidos. “Clínicas individualistas não sobreviverão porque não adicionam valor de longe prazo ao sistema”, ela conta.
  • Integração: coleta de informação por EMR, PACS, integração ao sistema, negócio inteligente para gerar valor a todos os stakeholders de saúde, referência e referência cautelar, histórico de informações e insights de saúde.

Já existem vários players no mercado buscando se posicionar nesse sentido, como o grupo Unimed. “A nossa visão de futuro é uma saúde conectada, integrada e onde os players estejam muito afim de fazer a atenção integral. O nosso maior desafio é trabalhar nessa atenção unindo hospitais, clínicas e laboratórios ao longo do país para integrar uma experiência unificada para esses clientes”, afirma Luiz Renato, CIO da Central Nacional Unimed.

O que o paciente espera da clínica do amanhã?

Uma das principais preocupações entre as instituições de saúde é como o paciente enxerga os serviços médicos daqui para frente. A experiência deve ditar a integração de novos tipos de serviço e levantar três pilares no setor: conveniência, engajamento e personalização. A seguir, temos uma lista de itens que cada um desses pilares deve apresentar, de acordo com a apresentação de Rita Ragazzi na Clínica do Amanhã.

Conveniência

  • Acesso 24/7 à informação da saúde pessoal pela internet;
  • Informação de saúde em um único lugar para que os médicos e outros fornecedores de saúde e bem-estar tenham acesso;
  • Habilidade de se comunicar com os fornecedores por e-mail;
  • Resultados de exames e outras informações entregues por móbile;
  • Agendamento online;
  • Visita on-line.

Engajamento

  • Explicações claras do problema de saúde;
  • Conteúdo apoiando estado profundo;
  • Papel de tomada de decisão compartilhado – paciente como membro da equipe de healthcare.

Personalização

  • Abordagem personalizada de comunicação;
  • Respeito aos desejos por privacidade e segurança.

Atenção primária na jornada do paciente ganha impulso

A atenção primária à saúde, também chamada de APS, é um termo bastante conhecido na área médica, focando na regionalização e integralidade dos serviços. Nos debates para a clínica do amanhã, nota-se que o conceito tem ganhado bastante destaque.

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Mike Kapps é CEO da TNH Digital e conta que, nas suas experiências no exterior, percebe que a atenção primária tem sido bastante trabalhada. “Eu acho que a questão primária é o caminho. Eu fiquei muito tempo fora e eles só falam sobre isso. Para fazer a detecção certa, tem que olhar dados que a gente não olha, como por exemplo, o Social Determinants of Health. O CEP pode ajudar a ver o risco de um paciente, mas tem outras coisas. Nos EUA eles olham tudo: se existe acesso ao transporte, quais são os supermercados perto de você, qual é a taxa de violência, a atividade da polícia etc.”.

Uma das vantagens é que, ao trabalhar com foco nas localidades, é possível gerar dados mais precisos para desenvolver um cuidado cada vez melhor. “Estamos tendo mais acesso aos dados. Temos os dados ao lado de prontuário, de médicos que faltam, dados coletados de quanto tempo o médico conversa com paciente e, nos EUA, temos agora a possibilidade de escutar o que o médico está falando dentro da sala para tentar trazer informações disso. E, tem os dados que são são gerados pelo paciente. A gente consegue saber quando ele responde, o tom que ele usa e tudo isso junto com modelos de machine learning, a gente consegue ser muito bom no nível populacional para identificar pessoas certas para enviá-las para uma atenção primária ou coisa mais especializada”, Mike explica.

O CEO da TNH Digital também dá a dica de como desenvolver as habilidades para evoluir a atenção primária. Para ele, é improtante  ser criativo na maneira de coletar dados, usar as práticas de machine learning para entender os padrões e tomar ações em nível de organização para cruzar esses dados.

Atenção primária no Brasil

No Brasil, a atenção primária já está sendo desenvolvida. Em relação à regionalização, Luiz Renato conta que a Unimed busca integrar as clínicas para gerar um atendimento linear em todo o Brasil, mesmo com as particularidades regionais. “Nós temos clientes de empresas nacionais que viajam pelo país todo e o que se espera hoje, não só no seu nicho de residência, mas também no país como um todo, é uma experiência unificada. O paciente pode residir em Salvador e passar por uma boa experiência em São Paulo se essa experiência entregar um desfecho de qualidade e somar com o modelo de atenção que já existe”.

E não é só a Unimed que trabalha para evoluir a atenção primária. A Bradesco Saúde também foca no conceito, principalmente no que diz respeito à questão da integralidade. “O modelo que a gente está apostando é um modelo com a atenção primária com muito foco, razão pela qual as nossas clínicas são híbridas. Elas são multiespecialidades, sendo uma porta de entrada para organizar o cuidado e poder trazer para a atenção primária”, conta Flávio Bitter, diretor da Bradesco Saúde.

A clínica do amanhã já começou a ser desenvolvida e, com a ajuda das tecnologias apropriadas, a tendência é que a saúde possa desenvolver uma qualidade cada vez melhor para atender as demandas do Brasil e do mundo.

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