Nuvem pública direciona tendências de TI rumo à hibridização


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Com o aumento de relevância da nuvem pública no mercado, as estratégias de cloud híbrida — que englobam também os espaços de armazenamento privado — passam a figurar entre as principais tendências de Tecnologia da Informação. Essa é a aposta apresentada na Conferência Gartner Infraestrutura de TI, Operações & Estratégias de Cloud 2019, que reuniu vários especialistas do setor.

Os insights dos encontros promovidos pelo instituto Gartner ajudam a compreender o estado dos serviços de tecnologia no Brasil e no mundo, além de darem uma visão dos próximos caminhos a serem percorridos daqui para frente.

Segundo os principais profissionais do meio, o futuro da TI deve caminhar em direção ao multicloud e à nuvem híbrida. Enquanto o primeiro termo se refere ao uso de vários provedores ao mesmo tempo, o segundo conceito é a união de serviços de armazenamento em servidores internos e externos — os datas centers da própria organização e os serviços de terceiros, como Amazon Web Service e a Microsoft Azure, respectivamente.

Mindy Cancilla, vice-presidente de Gestão do Gartner, ressalta a importância da nuvem pública para as organizações. “Por definição, a cloud é escalável e elástica. No minuto em que eu preciso, posso solicitá-la e ela estará disponível, permitindo que eu seja produtiva no ambiente. Essa mentalidade de poder fazer sozinho (sem depender de profissionais especializados) é a chave para tudo dentro da TI”, disse.

Para a executiva, as estratégias de nuvem pública são importantes, mas ainda não devem ser a única opção dentro de uma infraestrutura corporativa. “A adoção dessa tecnologia já é uma realidade, mas não significa que devemos fechar os data centers. Ainda vamos continuar a rodar aplicações neles”.

Hibridização é o caminho para migração de clouds

É notável que os data centers trazem desafios de manutenção, mas as cloud públicas também têm as suas dificuldades. Por isso, o processo de hibridização se torna o caminho para as organizações se adequarem gradualmente ao processo de readaptação de distribuição dos serviços.

Mindy afirma que a impaciência do mundo moderno exige serviços mais instantâneos. Nesse contexto, há uma forte tendência em integrar as estruturas de TI à nuvem pública para automatizar os processos, já que o acesso é imediato, em contraponto ao processo demorado dos data centers.

“As clouds privadas são sofisticadas e caras. Além disso, você ainda tem problemas para encontrar e contratar os talentos que são familiares a elas. Então, as organizações estão entendendo que podem consumir os serviços de uma nuvem pública de forma mais barata e rápida. Isso não significa que você não deve continuar a modernizar os data centers, só não deve chegar ao ponto de construir uma nuvem funcionalmente completa neles”, Mindy explica como as organizações devem se adaptar às novas estratégias de cloud.

Empresas devem ficar atentas aos riscos da cloud pública

Apesar de vantajosas, as nuvens públicas podem trazer riscos graves às organizações desatentas. Daniel Bortolazo, gerente de Engenharia de Sistemas na Palo Alto Networks, elenca os principais contratempos da tecnologia. “Ela tem uma administração descentralizada e falta de visibilidade. Isso gera um impacto muito grande no aumento de erros em configurações não seguras e aumenta essa dificuldade de quantificar os riscos que acontecem lá, ao mesmo tempo em que deixa mais complexo o gerenciamento de compliance dentro da plataforma”, explica.

Bortolazo aponta que, aproximadamente 27% das organizações experienciam contas comprometidas e 24% possuem hosts sem atualizações de alta severidade na nuvem pública. Os dados revelam também que, até 2022, uma média de 95% das falhas de segurança de armazenamento serão erros do cliente.

Muitas empresas acham que a segurança é função somente dos provedores, mas são elas que devem se responsabilizar pela proteção dentro da nuvem, enquanto os provedores devem ser responsáveis pela segurança externa.

“Quando a gente junta todos esses riscos com o modelo compartilhado de segurança, o provedor não se responsabiliza por toda a segurança da cloud pública. Ele se responsabiliza por uma infraestrutura básica, porém os itens que envolvem os servidores, dados, a própria rede e configuração de usuário são de responsabilidade do cliente”.

Como o mercado deve superar os desafios da cloud híbrida

Mesmo com todo o potencial das estratégias de cloud pública, os data centers ainda devem manter as suas funções dentro das organizações, ou pelo menos em parte.  Júlio oliveira, Senior Soluctions Architect da Dimension Data, explica como os dois tipos de tecnologia podem se complementar. “A nuvem privada tem a capacidade de tocar todos os elementos dentro da minha infraestrutura para automatizar o processo e, no final, entregar aquilo que o usuário clicou no catálogo da solução. Do outro lado, eu tenho a nuvem pública, que traz toda a agilidade, simplicidade e elasticidade que se conhece no mercado. Nesse mundo híbrido, eu passo a ter diversas soluções”.

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No entanto, ele ressalta alguns desafios que precisam ser superados para rodar as clouds híbridas adequadamente. É preciso entender como as aplicações vão ser distribuídas entre os formatos públicos e privados, bem como quais são as peças das aplicações, o público que consome os serviços e as habilidades de tráfego.

“A recomendação é que as organizações utilizem ferramentas que acompanhem preferencialmente a mobilidade desses workflows. Você até pode usar uma aplicação manual, mas elas acabam se tornando defasadas em questão de duas semanas. É preciso ter o mapeamento de forma robusta para poder migrar as aplicações nesse mundo híbrido”.

Julio aponta que há ferramentas que possibilitam realizar esse mapeamento, permitindo modelar a aplicação em um único dashboard central. Com um desenho único, torna-se possível acompanhar de forma adequada os custos das trocas de nuvens. Segundo o arquiteto da Dimension Data, as ferramentas ajudam a identificar o tempo de respostas da nuvem e a monitorar as performances.

“Eu preciso garantir que a saúde das aplicações vai ser monitorada de forma rápida. Essas ferramentas têm como base a criação de agentes dos workloads, entendendo e enviando o flowmap da aplicação, que olha a experiência do usuário final de forma 100% automática”.

Nas tendências de TI e estratégias de cloud, vale ressaltar que há alguns critérios para aplicar a nuvem híbrida em uma organização. De acordo com Julio, é importante verificar quais são as nuvens corretas, a demanda de trabalho e pesquisa, os cases dos fornecedores, quem será o time responsável pelo monitoramento e como será estruturado o back-up, entre outros fatores. Quem conseguir resolver essas questões vai ter nas mãos boa parte do segredo para usufruir com sabedoria o universo promissor das clouds.


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