“Qual é o movimento artístico que exaltava a tecnologia?” – Uma conversa sobre Futurismo


Qual é o movimento artístico que exaltava a tecnologia
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Carlos Vazquez - Movimento artístico que exaltava a tecnologia
Carlos Jimenez Vazquez, proprietário e diretor artístico da Godê Galeria

Quem conhece o jogo de palavras-cruzadas CodyCross, desenvolvido para Android e iOS, já se deparou com essa pergunta: qual é o movimento artístico que exaltava a tecnologia? A resposta é tão lógica quanto parece: se a tecnologia tem tudo a ver com futuro, então está certo quem responde Futurismo!

Para falar sobre o movimento, a Techolics conversou com o espanhol Carlos Jimenez Vazquez, proprietário e diretor artístico da Godê Galeria. Graduado em História da Arte, ele mora há alguns anos no Brasil, onde leciona e gerencia uma galeria de arte na região de Pinheiros, em São Paulo.

Confira o bate-papo a seguir e conheça um pouco sobre o Futurismo, o movimento artístico que exaltava a tecnologia!

Carlos, como você define o Futurismo?

Carlos Jimenez Vazquez: O Futurismo foi um manifesto que ganhou mais força na Itália, publicado no começo do século XX. Essa proposta saiu do contexto literário, tendo mais influência na música, na cultura e na arte, e faz parte do que chamamos de Vanguarda Européia.

O interessante é que, numa época de movimentos que chamamos de “ismos”, esse não teve muita repercussão internacional. Se você pensar, o Cubismo e outros movimentos foram mais fortes, com mais influência.

E como o movimento surgiu?

Carlos Jimenez Vazquez: O Manifesto Futurista foi publicado por um jornal francês chamado Le Figaro em 1909, mas o movimento em si foi italiano. Paris era o centro cultural da época, então, para ter uma repercussão internacional, um artista tinha que ir para lá. Todos os grandes artistas da vanguarda estavam concentrados na cidade luz, mas a maioria dos artistas futuristas era italiana.

Quais foram as principais influências do Futurismo?

Carlos Jimenez Vazquez: Os futuristas pensavam muito na máquina, quando começaram a nascer os carros, a industrialização. Os artistas gostavam muito da força, da velocidade e do dinamismo. É por isso que o movimento ficou conhecido como Futurismo: porque eles estavam pensando no futuro, exaltando a tecnologia.

O movimento foi bastante influenciado também pelo Cubismo e o Abstracionismo, mas teve a intenção de explorar muito o conceito de movimento. Seu maior impacto foi nas artes visuais, sobretudo na escultura e na pintura.

Você falou sobre a pintura e as artes visuais. O que você pode dizer do Futurismo na literatura?

Carlos Jimenez Vazquez: Eu acho que o movimento chegou a pegar mais referências da literatura, mas não teve tanto impacto nesse ambiente. A literatura não foi muito influenciada pelo Futurismo.

Quais foram os principais expoentes do movimento?

Carlos Jimenez Vazquez: O grande influenciador do Futurismo foi Umberto Boccion, que era pintor e escultor. Além dele, tivemos Carlo Carrá, que também foi referência forte na pintura, e o pintor Gino Severini. Na literatura, eu posso citar Béla Balázs, que foi poeta e crítico de cinema. Esses quatro foram grandes destaques do Futurismo, mas quem escreveu o Manifesto foi um poeta italiano chamado Fillippo Marinetti.

Como foi a repercussão no Brasil?

Carlos Jimenez Vazquez: No Brasil, o movimento teve mais destaque na Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo. Eu acho que a grande influência veio com a Anita Malfatti. Na literatura, acho que Machado de Assis também explorou o Futurismo em algumas obras.

Eu vejo muito a Tarsila do Amaral como futurista também. É só pegar uma pintura da época de São Paulo, que era uma cidade futurista nos anos 1920. A cidade já tinha muita indústria e trens, era um polo industrial de café. A Tarsila tem pinturas sobre essa paisagem urbana de São Paulo. Sem contar que ela era bem próxima da Anita.

O Futurismo foi criado em um contexto de industrialização. Como um movimento artístico que exaltava a tecnologia, levando em conta que hoje estamos bem avançados nessa questão, como você enxerga o futurismo na nossa sociedade atualmente?

Carlos Jimenez Vazquez: Hoje em dia, somos muito influenciados pela arte digital. Nasceram novas manifestações e expressões artísticas pela internet, desde a arte digital até o próprio videogame. No Brasil, eu acredito que ainda não esteja tão desenvolvido, mas temos algumas vertentes,visíveis nos festivais sobre arte digital. A gente trabalha todas essas questões da internet, a art net, como a gente chama também. Atualmente, é tudo um resultado dessa influência da internet.

Eu acho que estamos vivendo em um tempo futurista, mas os artistas do movimento foram pioneiros porque queriam sair do classicismo, o academicismo. Futuristas, eu acho que sempre fomos um pouco.

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Acabamos adiantando o que vai acontecer, mas o movimento em si surgiu na época por causa de outros contextos. O que eles queriam era quebrar todos os ismos. Os elementos do futurismo foram os elementos da máquina, da velocidade, quando ainda não tinha avião e nem TV. A TV também revolucionou a arte, mas uns 30 ou 40 anos depois. Hoje em dia já estamos em outra etapa, muito mais avançada. Acho que o Futurismo teve mais impacto no começo do século XX, mas agora já temos outras linguagens.

O futurismo foi um movimento artístico que exaltava a tecnologia e envolvia bastante a questão da novidade, de quebrar tradições. O que você pode dizer desse aspecto na arte moderna?

Carlos Jimenez Vazquez: A arte sempre procura inovar e isso é uma das coisas mais importantes. Apesar disso, com o mundo tão globalizado, acho até difícil ousar e sair do óbvio, porque parece que já está tudo inventado.

A arte está sendo futurista, principalmente a arte digital. Ela explora tudo que tem a ver com redes sociais e robôs, é um novo conceito do que tínhamos na época do Futurismo. Hoje em dia. muitos artistas já usam máquinas no trabalho. A arte digital é uma linguagem totalmente contemporânea, mais atual, porque tem a ver com a internet. Temos também a videoarte, que é um passo anterior. Ela está muito presente, mas vem dos anos 1970.

Na Godê Galeria, temos o Fernando Banzi, um artista que faz fotopintura. Ele pega, por exemplo, uma foto antiga do século XIX e resgata digitalmente. Essa é uma linguagem nova de arte. Ele já expôs este ano no MIS e se autodenomina como fotografo. O Fernando dá cursos de fotopintura e foi agora para Pernambuco realizar uma oficina, sempre na fotografia digital.

Para finalizar o que você considera o grande destaque do Futurismo?

Carlos Jimenez Vazquez: Eu acho que foi a primeira vez que as pessoas usaram o resultado da industrialização na arte. Isso é importante. De um jeito abstrato, os artistas estavam pintando a velocidade e o tempo. Eles estavam tentando captar esse ritmo rápido, a velocidade do automobilismo e a agitação das grandes cidades. Então, acho que o grande destaque foi o movimento.

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