Tecnologias para longevidade foi foco de debates no evento Acontece Saúde


Tecnologia para longevidade é o tema do evento Acontece Saúde

Na última segunda-feira (12/11), o evento Acontece Saúde reuniu especialistas e convidados para debater sobre o desenvolvimento de tecnologias para longevidade e a preocupação com a terceira idade. A Techolics esteve presente e traz um resumo com os principais tópicos discutidos!

O Acontece Saúde é um evento organizado pelas empresas CESAR e OPTUM. A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira cedeu o espaço para a realização, que aconteceu no 11º andar do prédio.

Karla Godoy da CESAR ficou responsável pela abertura, fazendo uma breve apresentação do tema: “Tecnologias e estratégias para a longevidade”. Os debates foram divididos em dois blocos, cada um com um moderador e três convidados. O público também pôde participar com perguntas aos participantes.

Bloco I: Novas perspectivas para a longevidade

O primeiro bloco colocou em foco como estamos nos preparando para a extensão da longevidade no Brasil. Moderado pelo Dr. Daniel Gomes (Hospital dos Clínicas – UFPE), o painel reuniu também o Dr. Riad Younes (Hospital Oswaldo Cruz), o especialista Fabio Ota (International School of Game) e a pesquisadora e influenciadora digital Neuza Guerreiro de Carvalho.

Da esq. para dir.: Dona Neuza G. de Carvalhio, Dr. Riad Younes, Fabio Ota e Dr. Daniel Gomes.

Confira os destaques de cada participante.

Dr. Daniel Gomes

Como moderador, Dr. Daniel levantou a polêmica do crescimento da população idosa. Segundo ele, a estimativa é que o número de pessoas mais velhas deverá dobrar até 2030 e superar a população de até 14 anos até 2050. Esses números apontam para uma tendência a diminuir a população economicamente ativa, podendo trazer problemas estruturais para o Brasil. O grande questionamento foi: estamos preparados para esse envelhecimento da população?

Embora o aumento da longevidade indique melhoras nas condições de vida, há um paradoxo no Brasil. O cenário atual da saúde indica que estamos envelhecendo sem qualidade. Enquanto a Europa primeiro enriqueceu para depois envelhecer, nosso país não conseguiu seguir a mesma linha, ou seja, enfrentamos problemas como a pobreza enquanto ganhamos mais anos de vida. O desafio é propor soluções para melhorar o sistema de saúde para suportar o envelhecimento da sociedade.

Dr. Riad Younes

Dr. Riad, que é também vice-presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, começou sua participação discutindo a noção que temos hoje de terceira idade. No passado, era comum considerar idosa uma pessoa a partir dos 50 anos, mas a melhor idade hoje é vista como a partir dos 60 anos – e essa definição já começa a mudar.

Riad incentivou as boas práticas de saúde para o bom envelhecimento, com o complemento do Dr. Daniel de que a genética tem apenas 20% de participação nesse processo. Riad endereçou que a boa saúde deve começar ainda na infância – se uma criança não é saudável, ela diminui as chances de chegar aos 80 anos. Os maus hábitos na idade adulta, como o cigarro, também têm papel nesse cenário, mas o médico ressalta que nunca é tarde para começar a se cuidar.

Neuza Guerreiro de Carvalho

A simpatia de dona Neuza foi o ponto alto do grupo. Com mais de 80 anos, ela administra o blog Vovó Neuza. No debate, a pesquisadora defendeu a importância de repassar conhecimento para as novas gerações, deixando uma contribuição para a sociedade.

Dona Neuza falou sobre tecnologias para longevidade
Dona Neuza defendeu o uso de bengala e foi além: “Eu acho que tem que inventar uma bengala com guarda-chuva acoplado”.

Uma curiosidade é que dona Neuza, desde já, deixou seu corpo à disposição da ciência para quando desencarnar. Em vez de velório e enterro, ela quer servir de material para pesquisas e estudos científicos. Dona Neuza ressaltou inclusive uma técnica de autópsia por ressonância magnética, que deverá abrir caminhos para estudar novas áreas do cérebro.

Atualmente, a blogueira participa de pesquisas de universidades, vendo uma ótima troca de benefícios. Enquanto colabora para os estudos da terceira idade, ela recebe um acompanhamento que gera tratamentos rápidos em qualquer necessidade. Neuza apoia essa parceria e acredita que mais pessoas deveriam se unir às iniciativas.

Fabio Ota

Fabio desenvolve games para a terceira idade com o objetivo de melhorar a cognição em idades mais avançadas. O projeto foi aprovado pela Fapesp e traz jogos voltados para raciocínio lógico e realidade aumentada.

Os games são focados em estimular não só o raciocínio, mas também a interação real na terceira idade. A ideia de promover uma socialização ajuda no desenvolvimento da cognição: os players precisam cumprir tarefas tanto no mundo virtual como no mundo real durante a experiência.

O projeto de Fabio ainda vai além e coloca o idoso como desenvolvedor do próprio jogo. Segundo o especialista, os dados do projeto identificam uma memória melhor entre aqueles que participam do desenvolvimento do que em quem apenas joga.

Bloco 2 – Como  a tecnologia pode contribuir para uma vida mais longa e saudável

O segundo bloco de debate sobre tecnologias para longevidade teve a moderação de Felipe Rizzo (OPTUM) e a participação dos especialistas Daniel Coudry (Amil Saúde), João Bosco (Genomika Diagnósticos) e Paulo Urbano (CESAR).

Bloco 2 discutindo sobre tecnologias para longevidade
Da esq. para dir.: Paulo Urbano, João Bosco, Daniel Coudry e Felipe Rizzo.

Felipe iniciou a conversa lançando a seguinte pergunta: o que existe de tecnologia aplicada para a longevidade hoje? Veja como os participantes abordaram essa e outras questões!

Daniel Coudry

Como diretor executivo da Amil, Daniel passou uma contextualização da empresa, que se enxerga à frente do mercado com soluções inovadoras, como o sistema Clinical Data Warehouse. Segundo ele, há um desperdício nos investimentos de saúde, sendo que 25% dos gastos em nível internacional não estão relacionados a uma boa assistência. Daniel vê como um dos maiores problemas o fato de o sistema de saúde não conhecer a epidemiologia da população e quer mudar isso em seu grupo.

Daniel Coudry falou sobre tecnologias para longevidade
“A cada 12 meses, 800 mil dos nossos usuários não consomem serviços de saúde nenhum. A gente está propondo um conjunto de ações, porque a gente não conhecer o usuário é muito ruim”, afirmou Daniel Coudry sobre a Amil.

Uma estratégia é voltar-se para a atenção primária. Acontece muito a descoordenação do cuidado, onde o paciente tem vários especialistas que não se conversam. A ideia é proporcionar um atendimento especial para os usuários com mais de 60 anos, público que consome 27% dos gastos da Amil. Os idosos, que representam 9% da carteira dos planos, poderão contar em breve com o programa Vitalidade.

Durante a conversa, Daniel também ressaltou a importância de desenvolver projetos para outras necessidades específicas, como os surdos e a população transgênero. A Amil está se empenhando em buscar novas formas de atender a esses nichos.

João Bosco

Diretor Executivo da Genomika Diagnósticos, João iniciou sua participação ao abordar a questão da oncologia para o desenvolvimento de tecnologias para longevidade. Ele acredita que entender a genética é um passo importante para avaliar as alterações dos tumores e desenvolver tratamentos específicos para o câncer.

As alterações genéticas conseguem identificar também a porcentagem de risco de desenvolver determinado tumor. Essa análise necessita uma prevenção personalizada, mas a indicação é para quem já teve câncer ou histórico familiar, porque há uma barreira de custo que impede o fácil acesso.

Da mesma forma, o sequenciamento genético também é importante para conhecer o comportamento de doenças comuns e criar novos estudos de prevenção. É o caso, por exemplo, da hipertensão, que pode ser evitada por meio de prevenção e diagnóstico precoces.

Bosco acredita que o estudo da genética irá ajudar a impulsionar formas de prevenção na saúde, sendo importante contar com tecnologias para longevidade.

Paulo Urbano

Paulo questionou a capacidade do sistema de saúde financiar a incorporação de novas tecnologias, afirmando que não há recursos suficientes para isso. Ele citou como exemplo a substituição de aparelhos como o raio-x, que abriu espaço para o ultrassom e, na sequência, a tomografia.

Urbano também discorreu sobre as tecnologias wearable. Ele acredita que elas são importantes para desenvolver novos paradigmas e abrir caminho para novas interfaces conversacionais.

Encerramento: Provocação com Alexandre Kalache e Patricia Ellen

Para finalizar o Acontece Saúde sobre tecnologias para longevidade, foram convidados Patricia Ellen da OPTUM e o epidemiologista especialista no envelhecimento Alexandre Kalache.

Patricia contou a história de sua família, que, curiosamente, traz mais de 100 parentes de primeiro grau. Como exemplo de família grande, ela apontou a importância das tecnologias para longevidade. Vale ressaltar que ela é especialista em IOT.

Ela mesma apresentou a importância do trabalho do colega Alexandre Kalache, contando que ele foi um dos primeiros a entender que o envelhecimento teria tanto impacto nas políticas públicas de saúde.

Kalache, por sua vez, apontou que é importante preparar a sociedade para batalhar por políticas voltadas para a longevidade, pensando em longo prazo. Ele ressaltou que um erro do nosso modelo de saúde é tentar copiar os Estados Unidos, que está muito atrás em questão de longevidade.

O especialista ainda retomou um ponto que foi abordado em outros momentos durante o evento sobre tecnologias para longevidade: os cursos de medicina não estão abordando a geriatria nas disciplinas, o que é um grave problema no contexto atual da sociedade.

Alexandre Kalache falou sobre tecnologias para longevidade
Alexandre Kalache falou sobre o ensino de medicina: “O problema não é o envelhecimento. É a falta de formar profissionais preparados”.

Segundo Alexandre, há um hábito ruim de focar na cura e não na prevenção. Os esforços estão voltados para o tratamento de doenças que não têm cura, mas que poderiam ser prevenidas.

Nos seus últimos pensamentos, ele deixou uma frase de impacto: “solidariedade é a palavra que mais rima com longevidade”.

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